terça-feira, 11 de junho de 2013



TREMO

Ao ver-te eu tremo.
Sob teu corpo eu gemo.
De prazer.
Ah, de prazer!
Tu tens uma pele que se casa com a minha.
Eu que vivia tão sozinha.
Tens uma boca.
Uma boca tentadora.
Tens uns olhos que me queimam.
Tremo.
Tremo ao ver-te.
Sei que estaremos juntos.
Que sentirei todo teu corpo colado ao meu.
Sei quão bom será.
Sei que nos veremos de novo.
De novo e de novo.
Sei que me fazes tremer.

E que me matas de prazer.

sonia delsin 


Ó, COMO EU QUERIA!

queria te falar dos tempos antigos
do amor de ontem...
mas para quê?
...se tudo se perdeu...

sonia delsin 


DESLUMBRADO?

Me perguntei tantas vezes se estás enfeitiçado... ou
deslumbrado.
Nada eu sei.
Nunca sabemos.
Mas vemos.
E como é doloroso.
Tantas vezes questionei.
Precisa-se por isto passar?
Não se pode mudar?
Não se pode ajudar?
Em resposta só o silêncio.
Talvez só o tempo venha te falar.
Então irás escutar.

sonia delsin 


ELES PRECISAM DE AFETO

Quando eu chego com meu sorriso doce.
Eles sorriem.
Sabem o que eu lhes trouxe.
Posso ir de mãos vazias.
Que sempre levo alegrias.
Não são bens materiais que eles precisam.
Eles precisam de afeto.
De vez em quando eu até levo o doce predileto.
Para os que podem comer.
Levo algumas roupas para lhes aquecer.
Levo bobaginhas.
Relógios velhos, rádios de pilha, pulseirinhas.
Mas acredito que levo aquilo que não se pode comprar.
Levo amor pra quem vive tão sozinho.

Levo isto... carinho para cada velhinho.

sonia delsin 


COVARDIA?

Me disseste.
Pra mim já é tão tarde.
Tão tarde.
Não ouso voar.
Minhas asas podem arrebentar.
Estão frágeis e podem envergar.
Disseste.
Contigo eu poderia partir.
Descobrir um outro existir.
Mas temo esta empreitada.
Fico a te olhar na calçada.
Vais tão faceira.
Iluminas a rua inteira.
Fico te admirando.
Contigo sonhando.
Pra mim é muito tarde.

Não me chames de covarde.

sonia delsin 


ETERNAMENTE OCASO

Se por acaso fosse eternamente ocaso.
Se por acaso.
Se o sol vermelho jamais se enterrasse no horizonte.
Se nos meus olhos se imobilizasse uma lágrima.
Se por acaso...

Faço duma tarde o retrato do fim da humanidade.
Tremo.
Tremo.
É verdade.


sonia delsin 


SOU MAIS LEVE QUE A BRISA

Sou leve.
Levíssima.
Flutuo no ar.
Não queira me alcançar.
Melhor me admirar.
E sonhar...

sonia delsin